Livro “Career Suicide: Meine ersten dreißig Jahre” de Bill Kaulitz // Tradução de excertos – CFTH – Clube de Fãs Oficial dos Tokio Hotel em Portugal

Livro “Career Suicide: Meine ersten dreißig Jahre” de Bill Kaulitz // Tradução de excertos

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A dificuldade de cantar no concerto em Marselha

[…] Quase que desatei a chorar. Durante a primeira mudança rápida de outfit, enquanto a minha maquilhadora e a minha estilista queriam despir-me o fato para me prepararem para o segundo outfit, elas notaram que estava a escorrer suor e lágrimas pelo meu rosto abaixo, eu abri a boca para inalar ar e apertei o botão para chamar a banda que estava em cima para virem cá para baixo para uma reunião de emergência. Totalmente perturbado e rouco, disse asperamente: “Não está a sair som. Pessoal, não consigo mais. Precisamos de cancelar o concerto”. Freneticamente, decidimos encurtar a setlist. Ansiosamente, voltei ao palco. Nunca me tinha sentido tão vulnerável e fraco antes. Como se eu fosse o maior fracasso. Um inútil. O palco parecia ter aumentado para o dobro do tamanho e ameaçava engolir-me. Pedi desculpas ao público que tinha ficado acampado em frente ao recinto dias antes do concerto para que conseguissem ficar na primeira fila e fazer com que os fãs cantassem a maioria das músicas. Os últimos minutos pareceram horas e eu senti-me como se estivesse a apodrecer no inferno. O meu maior pesadelo tornou-se realidade. Humilhado na frente de um recinto esgotado. Senti-me patético.

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Problemas na voz do Bill, a pressão e a forma como era tratado pelos profissionais de saúde

[…] Quando o tormento terminou e eu arranquei o meu fato do meu corpo suado, comecei a chorar amargamente. Tudo o que tentei esconder, estava agora a querer sair e não havia forma de me conter. Estava profundamente desesperado. A minha melhor amiga e maquilhadora abraçou-me e tentou consolar-me. Os rapazes ficaram ao meu lado, perplexos e perturbados. Nenhum deles sabia como lidar com um Bill desesperado e fraco. Eles nunca me tinham visto assim. Mas não houve tempo para ser muito emocional, o meu manager de tour informou todos os money-monger [uma espécie de negociantes de dinheiro]. A vaca leiteira [cash cow, vaca que dá dinheiro] caiu e viram os seus milhões de dólares arderem nas chamas.

Com um olhar morto, eu não tinha forças para continuar a lutar, não tinha mais nenhuma direcção para me salvar.
Eu estava com raiva de mim mesmo, dos fãs, da indústria da música. Qual é a utilidade de ainda estar vivo? Parecia que a última pequena chama tinha acabado de se extinguir e era como se não houvesse ninguém que me pudesse resgatar. Nessa mesma noite, o meu tour manager levou-me ao hospital com o meu segurança ao meu lado. Levei a Natalie comigo como sendo o meu apoio moral. Felizmente, eu tinha ela, os rapazes, os elementos da minha equipa que acabaram por se tornar meus amigos e que sinceramente se importavam comigo, em vez de ficarem tristes por perderem dinheiro. Os outros rapazes ficaram no tour bus, jogaram poker e beberam whiskey cola. Estava planeado viajar para Lisboa durante a noite e todos presumiram que tudo o que eu precisava era só de uma palmadinha nas costas e de uma pastilha para a tosse e depois “subir ao palco com o pónei do espectáculo!”. As enfermeiras estavam a sussurrar, tiravam-me fotos secretamente ou pediam autógrafos aos meus guarda-costas. Nunca me senti menos do que um superstar. Só me queria enfiar num buraco. Aqui ninguém falava inglês como deve ser, tal como em toda a França, e tive a sensação de que ninguém me levou a sério nem que alguém realmente me tentou entender. “HELLO?! Estou a perder a minha voz agora! O meu bem mais precioso, a minha existência e vocês querem um estúpido de um rabisco num bocado de papel? Ninguém percebe que estou a ser destruído?”. Um médico examinou a minha garganta, colocou uma máscara respiratória no meu nariz e fez-me inalar cortisona durante uma hora. Ele sugeriu injectar algo directamente nas minhas cordas vocais. “Desculpe?!” Nem pensar! Este idiota não vai injectar nada na minha garganta”. Disseram-me para dormir bem e para não falar muito no meu dia de folga do dia seguinte. Sentia-me como um menino irritante que precisava de um atestado de doença para o jardim de infância. Nenhum desses médicos queria assumir a responsabilidade por um dano de milhões, e eles também nem sequer eram especialistas. Eu queria um conselho de alguém que falasse alemão, alguém que me entendesse. Não gostei nem um pouco daqueles sussurros secretos sobre mim. O Tom teve que me ajudar! Ele entendia como é que eu me estava a sentir agora. Agora eu precisava do meu irmão gémeo. De volta ao tour bus, uma lata de chá de gengibre com mel estava à minha espera, que o meu motorista de autocarro Conny sempre preparava com muito amor. Fazendo o que me foi mandado, coloquei um pouco da bebida quente num copo e estiquei-me no sofá em frente à TV. Todos olharam para mim de forma simpática e reconfortante. “Agora relaxe e amanhã o mundo vai ser um lugar muito melhor. Se for preciso, teremos apenas que cancelar alguns espectáculos”, disse o Georg. Eu tinha a certeza que ele não estava a falar a sério sobre isso, mas achei comovente como ele estava a tentar animar-me. Como especialista financeiro da banda, ele sabia que nenhum espectáculo podia ser cancelado, pois todo o planeamento ameaçava uma colaboração e nós teríamos um prejuízo enorme. Pensei: isto é o que ganham com a minha arrogância – o quererem um palco gigantesco.

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A viagem para Lisboa e o tratamento do médico que tinha que ir ao concerto

[…] Na viagem de 18 horas para Lisboa, engoli cada pastilha para a garganta que tinha. Inalei uma mistura de bepanthen e cortisona, para me proteger do ar frio do ar condicionado, cheia de mel e gengibre. Principalmente para demonstrar a todos que, não importa o que fizesse, o quanto me esforçasse, tinha um problema muito maior do que apenas rouquidão. À noitinha, finalmente chegámos ao nosso hotel. Engoli um macarrão e deitei-me na cama, ainda completamente vestido. No dia seguinte, chamámos um médico ao hotel e pedimos infinitas bebidas quentes. O Tom deitou-se ao meu lado na cama e fizemos planos para uma emergência. Claro que ele sentiu pena de mim e sofreu da mesma maneira que eu. Eu e o Tom não partilhamos apenas a dor física, mas também a dor emocional. É como se nós os dois nos fundíssemos num só. O pânico estava estampado no seu rosto. Afinal, aquele não era o momento certo para adoecer. A nossa ansiedade mútua sobre o nosso futuro pairava como um balão de pensamento escuro sobre nós. “Eu sei, Tom! Mas o que é que eu posso fazer?”, queria eu dizer. O médico, nervosamente, andava num dentro e fora no meu quarto. Ele enfiou uma haste de madeira na minha garganta e fez-me dizer “Aaaahh”. Mais uma vez, senti-me que estava a ser consultado por um pediatra. Quase que me senti ridicularizado. Ele colocou um rebuçado de eucalipto na minha mesinha de cabeceira e disse num inglês péssimo: “Toma. Vais ficar bem”. Ele e o seu filho tinham bilhetes para o concerto de hoje à noite e estavam ansiosos pelo espectáculo. Portanto, é melhor eu fazer o meu melhor para ficar saudável outra vez. Eu que preciso de escrever todas as palavras por causa da minha rouquidão, ele apenas me diz para ficar saudável porque o filho dele está ansioso para o nosso espectáculo? Tenho que sair o quanto antes daqui! Comecei novamente a chorar. Eu mal podia esperar para ir a um médico “de verdade”. Eu precisava de ajuda profissional. Eu e o Tom decidimos que eu deveria voltar à Alemanha para ir a um especialista. […] (o Bill continua a descrever o momento, o Tom cancela o espectáculo, os fãs desfazem-se em choro, os pais arrastam os filhos para fora do local do concerto)

Os médicos alemães levaram o meu colapso nervoso mais a sério do que os seus colegas estrangeiros. No Berlin Charite, ouvi como o responsável médico contou a alguém ao telefone a gravidade da situação. Graças a Deus eu estava em boas mãos, finalmente. Mas, como não confiava nem um pouco nos assassinos do seguro de saúde e estava preocupado com a minha voz, contratei o médico mais caro de Berlim. Hesitante, entrei no seu enorme consultório, num prédio antigo e extravagante, com estuque no tecto, sofás grossos, secretária de madeira, portas dobráveis e um grande piano na sala. Yap, de certeza que ele sabia o que estava a fazer. O homem baixo, de cabelos encaracolados, disse-me que já tinha feito cirurgias a cantores de ópera. Senti-me em boas mãos e sentei-me na sua cadeira de exame. O médico enfiou uma longa haste metálica com uma câmara na minha garganta e eu não podia engolir. Desliga o teu impulso de engasgo e respira pelo nariz. Costumava fazer isso muitas vezes e sou bom nisso, mas não exactamente na cadeira de um médico.

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O cancelamento dos concertos e a cirurgia às cordas vocais

[…] Depois de uma longa discussão, uma coisa ficou clara: a tour não podia continuar. Todos os concertos tiveram de ser cancelados. Depois da cirurgia, era suposto eu nem sequer piar durante 10 dias para não abrir as feridas. Eu nem sequer tinha permissão para dizer um “ai”. Depois disso, tive que passar por um programa de reabilitação de quatro semanas para recuperar o controlo da minha voz. Basicamente, tive que aprender a cantar outra vez. Estava com medo e mergulhei num profundo abismo mental na minha suíte no Ritz Carlton, por trás das cortinas grossas que eu nem sequer abri. No dia seguinte, o meu segurança, que eu odiava profundamente a sua permanente presença, levou-me até à entrada das traseiras do hospital em Berlim. Durante anos que não dava um passo sem ele, não porque eu queria, mas porque não tinha oportunidade de o fazer de outra forma. Estávamos sempre juntos como se um cordão umbilical nos ligasse. Ser segurança é um trabalho estranho, tem que se ser maluco para o fazer, na minha opinião. Quero dizer, eles têm que colocar a sua vida em primeiro lugar, cuidar de ti a cada segundo e cuidar de ti muito melhor do que os teus próprios olhos. Como consequência, pode-se desenvolver uma dependência tóxica. Às vezes eu achava que ele devia de me odiar pelo facto de ele não poder fazer a sua própria vida. Para mim, ele era como se fosse o guardião da minha jaula dourada e tive a sensação de que, de alguma forma, ele gostou de me trancar nela. Nesta prisão, eu vegetava, completamente excluído do mundo exterior, e tornei-me num maluco social. Nem sequer era eu que encomendava a minha comida. Todos os contactos com o mundo exterior estavam sob a alçada dele. Se alguém quisesse entrar em contacto comigo, teria que falar com ele primeiro. Ninguém podia simplesmente falar comigo sem ele estar ao meu lado. Ele sabia praticamente de tudo. Ele decidia quando eu descia do carro, quando eu comia, quando vou para o meu quarto. Se eu estava de mau humor e ele não gostava da forma como eu o tratava, ele reagia como se fosse um namorado cabrão. Maluco! Se dependesse dele, eu nem tinha permissão para estar numa relação com alguém.

[…] Na minha bata cirúrgica, por baixo desta luz forte, sentia-me exposto e pequeno, sem a minha maquilhagem, o meu cabelo despenteado e pestanas postiças. O médico acalmou-me e a enfermeira colocou uma máscara na minha cara e fez-me contar até zero. Depois da anestesia, acorda-se confuso e intrigado. Quando acordei no meu quarto, ao fim de duas horas, e recuperei totalmente a minha consciência, estava a chorar. Ninguém ficou ao lado da minha cama para estar do meu lado. Excepto o meu segurança que deu o seu típico espectáculo, sentou-se numa cadeira ao lado da minha cama e hipnotizou-me com os seus olhos. Eu estava triste. […] O Tom, a minha mãe e o Gühne disseram-me que iriam estar em Berlim para ficar ao meu lado. Mas quem são eles? Como é que eles puderam me deixar sozinho assim desta maneira? Depois de passar uma eternidade, o Tom entrou lentamente no quarto e sentou-se na minha cama. Como eu não tinha permissão para dizer sequer uma palavra, escrevi tudo num bocado de papel. Mas eu e o Tom não precisamos de palavras escritas para nos entendermos. Muitas vezes comunicamos através de olhares. “Os outros também têm permissão para entrar agora?”, perguntou ele. Eu franzi as sobrancelhas e acenei com a cabeça com firmeza. Mais tarde, eles contaram-me que o meu segurança lhes tinha dito que eu não queria ver ninguém, excepto ele. Foi por isso que ele disse a todos que apenas o Tom é que podia entrar primeiro no meu quarto.

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A perseguição da imprensa e as falsas declarações

[…] A imprensa perseguiu-me com manchetes durante semanas. “Bill dos Tokio Hotel: de uma cadeira de rodas para a sala de recuperação”, “Fãs chocados! A voz do Bill nunca mais vai ser a mesma?”. A lista de manchetes era longa. O meu manager David emitia declarações semanalmente, afirmando o quanto eu queria voltar ao palco, que eu mal podia esperar para voltar. Mas, para ti, esta descrição parece mesmo com alguém que quer voltar ao palco? Claro que não. Eu estava assustado. Todas as manhãs eu entrava em pânico na cama com os lençóis encharcados de suor, com pesadelos.

As hienas vinham checkar-me diariamente para ver se a sua vaca leiteira já estava a funcionar outra vez e se podia continuar a gerar dinheiro. Afinal, as suas grandes casas e carros tinham que ser financiados. Como se não fizéssemos dinheiro suficiente para eles. Eu tinha acabado de ir ao programa de recuperação de canto, pois eles já tinham anunciado o meu próximo grande espectáculo. Eu nem consegui sequer emitir um som suave, quando o David anunciou à BILD: “O Bill vai cantar no seu primeiro concerto no festival em Nova York a 3 de maio. Ele mal pode esperar para estar no palco outra vez! Ele nunca esteve tanto tempo sem cantar e está a entrar em colapso devido à sua impaciência”. Que mentira! Eu queria desistir da minha carreira. Eu queria que me deixassem em paz, ser saudável, estar sozinho. Os meus gananciosos produtores ligavam-me diariamente, o freak e controlador do meu segurança, os meus agentes, a minha editora discográfica falavam pelas minhas costas como se eu fosse apenas um pedaço de carne. Eu estava sentado ao lado, observando como eles planeavam a minha vida apenas duas semanas depois de eu ter sido operado às minhas cordas vocais. Em 18 dias, era suposto eu estar no Bamboozle Festival. De novo, eu só queria gritar “PAREM! Ainda não consigo fazer isso! Ainda não estou pronto!”. Ainda assim, não tive essa ousadia. Principalmente porque as minhas pretensões não me permitiam pensar dessa maneira. Mais cedo ou mais tarde, eu teria que continuar e quanto mais me afastasse do palco, maior o meu medo se tornaria. “Levanta-te, Bill! Não sejas parvo. Estão todos à tua espera”, pensei. Sentia-me responsável por todos… Quer dizer, eu era.

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A importância dos EUA na carreira, a pressão dos media e a baixa auto-estima depois da cirurgia

[…] A América foi importante para a nossa carreira. Na verdade, foi o maior momento de sempre. A emoção foi enorme e a nossa viagem foi planeada ao mínimo detalhe com muito tempo de antecedência.

[…] A imprensa alemã caiu-nos em cima, porque tudo o que o New York Times disse devia ser a verdade, certo? Isso fez com que todos nós ficássemos boquiabertos e, de agora em diante, seria necessário levar-nos mais a sério. Não tínhamos muito tempo para prémios nacionais, tais como o Echo ou o Die Goldene Kamera e apenas agradecíamos por vídeo. Os alemães não gostaram nada disso. Demasiado arrogante! Um jornal americano chamou-nos de “a sensação alemã adolescente”. O Jay-Z foi na onda e foi ao nosso concerto esgotado no lendário ROXY, em que as pessoas até venderam bilhetes por 800 dólares no mercado negro.

Comemorámos no restaurante chique Katsuya Sushi em Hollywood e servimos bastante vodka e champanhe naquela noite. Quando chegámos ao restaurante e tivemos que abrir caminho entre os paparazzi que nos esperavam, a Dunja murmurou animadamente: “Sim, conseguimos, rapazes, sim, sim, sim!”. Fizemos o que nenhuma outra banda alemã fez. O nosso álbum entrou no Top 10 das tabelas de rock americanas. Estávamos em 5º lugar, para ser exacto.

Depois da nossa primeira entrevista no MTV TRL e com a minha performance vocal muito fraca no festival Bamboozle, o Conan O’Brian estava à nossa espera. Ele costumava apresentar um dos programas da noite mais importante dos Estados Unidos. Eu estava habituado aos programas na Alemanha onde apenas é preciso ter uma boa aparência e simplesmente posar para as câmaras, mas na América tem que se tocar ao vivo na TV. As actuações em playback eram um não absoluto. Muito desaprovadas! Isto fez com que tivesse noites mal dormidas.

[…] Enquanto o Conan nos anunciava, eu estava com a boca muito seca e com a garganta áspera. Agora eu tinha que funcionar, mas os meus problemas de voz e o meu nervosismo roubaram o melhor de mim: a naturalidade de actuar.

[…] Dei tudo o que pude, mas sabia que estava apenas na média, se é que estava. Até hoje nunca vi essa actuação! Os melhores da categoria de latão da Universal Music viajaram para a América apenas para se gabarem de nós. Eles convidaram os meios de comunicação alemães mais importantes e meteram-se lá no meio da audiência para viver de perto esse marco da nossa carreira. De seguida, eles fizeram uma afterparty algures num rooftop alugado para comemorar o dia com muito Chardonnay. As críticas à actuação foram soberbas, embora a minha voz tremulasse tal como uma bandeira ao vento. Vamos ser honestos. Nunca fui o maior cantor e sou realista o suficiente para saber disso. Existem milhões de outros cantores por aí que foram dotados de uma voz tão alucinante, mas eu não sou um deles. Mas sempre dei o melhor com esta vozinha que tenho. O mais importante é ter os valores da vontade e da recordação. Podes ser muito afinado, mas mesmo assim soares como os outros todos caso não sintas realmente o que estás a cantar. Mas depois da cirurgia e de estar na Meca da música, senti que não poderia competir. Pela primeira vez duvidei de mim mesmo e do meu talento. Eu fui apenas uma fraude? Uma mistura roubada de Bowie e Nena e nada mais do que um mero fã?

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Durante o dia: promoção; à noite: discotecas – às vezes com Drag Queens e cocaína

[…] Os dias da promoção foram apenas passando. O mesmo procedimento de todos os dias. Às 7 da manhã, geralmente ia ao quarto da Natalie, uma hora e meia de maquilhagem, rímel, pentear, sombreamento, colar as pestanas falsas, depois passava 30 minutos a pentear com uma lata de spray especial que andava sempre a viajar comigo na minha mala. Eu penteava o cabelo para cima, tal como a Marge Simpson – o meu penteado funcionou de uma maneira muito específica e com um tipo específico de spray de cabelo. Usava a outra metade da lata para borrifar alguns fios de cabelo para os colocar na posição perfeita para que ficassem em pé todo o dia. Os nossos dias duravam 18 horas – e assim ficava pronto o look do Bill Kaulitz. Às 9 horas da manhã tivemos as nossas primeiras entrevistas, para as rádio, para as revistas online, “a lamber alguns sapatos”, a dar passou-bem, conversa fiada e depois tempo para a pausa para o almoço. Ufa. Durante a pausa, era muito comum eu relaxar o meu rosto e conseguia descontrair a minha cara por um momento sem ter aquele aspecto de “excitação permanente” na minha cara. Eu parecia um cão triste. Depois, enrijeci os meus músculos do riso, vesti o meu casaco, coloquei jóias e as correntes outra vez, as quais eu tinha tirado na hora de almoço, e o dia de trabalho continuou. À noitinha, tivemos que assinar CDs durante cinco horas. Dizer “Muito obrigado. Também te amo.”, repetidamente. Abraçando os fãs, tirando fotos, e voltava exausto para o hotel. Mas antes que o meu dia continuasse da mesma maneira no dia seguinte, eu queria VIVER. Mesmo quando estava no meu quarto de criança laranja, eu sonhava com a cidade de Nova Iorque. A beber Cosmos tal como a Carrie Bradshaw, indo de club em club e apaixonar-me. Quando escurecia, sentia-me vivo. O longo dia terminou e as formas escuras do lado de fora pareciam atraentes. […] Aqui na América, o mainstream ainda não sabia quem eu era. Eu só precisava de trocar de roupa, colocar um boné e ninguém me reconheceria. A Natalie tinha uma amiga de longa data que morava aqui e combinámos encontrar-nos. O único problema era que eu tinha 18 anos naquela altura, então eu era menor na América, mas achei que eles conseguiriam dar a volta de alguma forma. Fomos para o “The Box”. Um famoso club em Nova Iorque. O local parece-se a um pequeno cabaré com um palco minúsculo. O ar está quente e cheio de fumo. Cheira a humanos e sexo. O club estava a abarrotar. Todos pisavam nos pés uns dos outros e esfregavam-se uns nos outros ao passar. Adorei logo o lugar. De repente, houve um espectáculo Drag. Homens de straps e de strap-on e de seios de plástico cantavam e dançavam coisas politicamente incorretas […]. “Espero que ninguém tire uma foto minha aqui”, pensei enquanto que uma drag abria uma garrafa de cerveja com o cu. Tornei-me um caso de dificuldade interpessoal, tímido e inseguro. Além das câmaras e do palco, perdi toda a minha frieza. Tal como uma criança intimidada, eu já não sabia mais como é que um humano realmente funcionava – sem ser o vocalista dos Tokio Hotel. Eu não tive uma vida privada à parte da banda. Amigos? Também não tinha, excepto o Gühne e as pessoas com quem trabalhei, como a Natalie. Mas um mundo fora da bolha dos Tokio Hotel simplesmente não existia. […] Quem sou eu e o que é que estou a fazer aqui? Notei que algumas das raparigas desapareciam regularmente e iam à casa de banho e depois voltavam suadas e super excitadas. O que quer que as tenha levado lá… Eu também queria! “Segue-nos”, disse uma delas – elas deviam ser modelos, eram lindas e muito magras. Segui-as até à casa de banho das senhoras numa cabine em que seis de nós nos enfiámos lá. Nessa noite, experimentei o deleite da cocaína. Comemorámos com Vodka Cranberry e com aquela coisa branca infernal que tomámos a cada segundo até às 5h30 da manhã.

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As atitudes estranhas e polémicas de David Jost, as teorias do que lhe possa ter acontecido, e a polémica do single “Run, Run, Run”

[…] Fomos apanhados numa teia de contratos, de desconfiança e de egos. Poderíamos ter alcançado muito mais se não nos tivéssemos prendido a isso. O Peter Hoffmann já tinha saído do projeto! A última vez que o vi no estúdio em Vögelsen, deve ter sido em 2008, ele olhou para mim com tristeza, deu-me uma palmadinha nas costas e disse: “Quem me dera ter feito mais por ti. Lamento imenso como tudo se desenvolveu”. Ele estava a insinuar a guerra em curso com Pat e Dave, com quem tivemos confrontos legais durante anos. O David, que também costumávamos chamá-lo de “Fifty-Fifty-Jost”, nem era carne nem peixe. A magnitude disto iria tornar-se muito mais clara nos anos que se seguiriam. Mas, até então, ele era o nosso confidente e amigo mais próximo – pelo menos era o que pensávamos! Quem diria que até ele seria uma das maiores decepções da nossa vida. Não poderíamos expulsar o Dave R. e não poderíamos trabalhar com outras pessoas sem a aprovação deles. […] O David vivia numa completa abundância. Quando se entrava na casa dele [nas colinas], ficava-se logo na sala dele que tinha vista para toda a cidade. Isso sempre foi muito importante para ele: “Kickies [a alcunha que ele lhes deu], a vista é o mais importante, não quero nem saber das outras coisas”, proclamou. Nunca o verias sem o seu telemóvel ou sem o seu portátil no colo. A casa dele inteira era dedicada ao trabalho. Ao lado dos seus assentos forrados de branco, apenas havia uma cabine de gravação de voz, uma secretária com o portátil dele, um típico sofá de massagem e as típicas luzes de discoteca. Ele sempre aparecia uma hora depois, no mínimo. Era o habitual jogo “à espera do David”. Parecia que ele achava este jogo excelente. Para os outros, este espectáculo era bom, mas para nós era muito supérfluo e desrespeitoso. É por isso que eu o cumprimentava sempre com um comentário bugado (bugged remark), após ele decidir aparecer ao fim de uma eternidade. Durante a gravação do nosso álbum, as nossas visitas foram se tornando cada vez mais bizarras e quase que não percebíamos como tudo isto ficou de loucos. […] Uma vez, fomos para a casa do David às 3h30 da madrugada depois de uma festa com o Gühne, pois ele queria que eu fosse para o estúdio e cantasse, mesmo eu estando completamente bêbado – porque eu soo muito melhor quando estou “drogado”. Esta foi uma das noites mais estranhas da minha vida. Abrimos a porta e encontrávamo-nos num dos sets de filmagem mais estranhos de sempre! O David tinha instruído os seus assistentes a filmar-nos de todos os lados. […] O Gühne timidamente foi para um canto e sentou-se e não disse nada nas horas seguintes. Isto aconteceu poucos dias depois do nosso aniversário de 24 anos. A cortina sobe e o espectáculo do David começa. Ele saiu do quarto dele que estava secretamente ao lado da casa principal com uma entrada extra. Com uma antena na cabeça, que ele tinha feito com papel de alumínio, ele ficou lá parado com dois grandes sacos de lixo azuis, ainda mais gago e mais frenético do que alguma vez já esteve. Ele sempre agiu como um entertainer engraçado e eu pensei que esta seria mais uma das suas encenações típicas em que ele iria brincar, fazer de palhaço e dar-nos um presente engraçado, em que depois ele iria desmanchar o personagem ao fim de duas horas. Ele fez com que filmassem tudo. Não pensei muito sobre isso e ignorei as muitas câmaras que lá estavam. Fogo, quem me dera ver hoje outra vez essas gravações porque o que aconteceu a seguir foi umas 3 horas de uma performance assustadora do David em que ninguém na sala foi autorizado a perturbar. Numa espécie de cerimónia, ele tirou presentes desses grandes sacos do lixo, um a um, e deu a mim e ao Tom. Estes eram as coisas mais estranhas. A cada item que ele dava, ele contava uma longa história. Eu e o Tom tínhamos que aceitar com gratidão cada presente e ficarmos felizes com isso. O Gühne ficou ali sentado, totalmente perturbado, e tentou sorrir corajosamente. Enquanto entrávamos no carro e colocávamos os sacos de lixo no porta bagagens, o Gühne olhou para nós e disse: “Que merda foi esta? O que é que acabou de acontecer?”. Esta noite abriu-nos os olhos. Eu, o David e o Tom éramos tão próximos que não conseguíamos ver o que realmente aconteceu. Devido aos planos de carreira, às reuniões nocturnas de crise que tínhamos desde os 13 anos, à obsessão da próxima grande música e ao perfeccionismo maníaco, perdemos o “nosso” David. Como é que não percebemos?! A obsessão dele com os takes vocais perfeitos fez-me passar sessões nocturnas em que eu tinha que cantar uma única linha repetidamente, porque ele estava à procura do scratch perfeito na minha voz. Ele foi a razão pela qual adiámos a data de lançamento continuamente. Desta forma, ele usou-me, a mim e ao Tom, para dar as más notícias ao Dave, Pat e à nossa editora discográfica. Oficialmente, ele não tinha permissão para trabalhar connosco sozinho. Aos poucos, reconhecemos o quão perigosamente ele nos puxou para o seu mundo e nos transformou nas suas ferramentas, a fim de se isolar do mundo exterior. Ele não falava com ninguém da equipa, excepto ao Tom e a mim. Se alguém quisesse entrar em contacto com ele, teria que ligar para mim e para Tom. A determinada altura, nós os dois éramos os únicos que ele via. Sinceramente, deveríamos ter notado que algo não estava bem dado que ele nos ligava às duas da manhã e pedia-nos para conduzir até ao banco para lhe emprestar 120 mil euros. Quando eu lhe perguntava para que é que ele precisava do dinheiro, ele interrompia-me de uma forma bruta e dizia que eu não o deveria chatear. Ele pediu-me para transferir o dinheiro e dizia-me que eu iria recebê-lo ao fim de dois dias. Claro que transferi. Sem dúvida alguma! Afinal, era o David. Eu faria TUDO por ele. Ele era família. Trabalhávamos com ele nas melhores músicas que tínhamos escrito na nossa carreira, nós os três éramos a nossa carreira, mas a matrix do David deixou-nos com os direitos das músicas indefinidos e num caos total de contratos. Ele até deu uma das nossas músicas a outros artistas que gravaram a mesma música sem que nós soubéssemos – por isso é que a Kelly Clarkson e o John Legend lançaram o nosso single “Run Run Run”. O nosso álbum quase que não foi publicado e isso fez com que eu tivesse noites sem dormir. Ele tinha pedido dinheiro emprestado a todos os tipos de pessoas. Ele pagou-nos apenas metade do que tínhamos emprestado. Existem muitas teorias sobre o que aconteceu com o David e onde ele está agora. Todas as teorias parecem um filme de crime. Todas as teorias me deixam triste.

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A luxúria, a loucura dos fãs e o protocolo a seguir em público

[…] O nosso loft em Hamburgo era puro luxo distribuído por 130m² – com uma banheira de canto com hidromassagem integrada. Só conhecia isto pelos filmes. Couro vermelho por 2 ou 3 mil euros, um closet que se podia entrar lá dentro. No meu quarto de criança apenas tinha um pequeno armário de madeira onde cabiam apenas três camisolas… Não tinha mais do que estas, também. Agora, acessórios e casacos de couro enchiam o meu quarto. O David comprou para mim o meu primeiro casaco de couro caro da Gucci e mostrou-me o mundo dos designers. Na altura, eu nem sabia quem ou o que era Prada, Gucci e Dior. E agora o David ia às compras comigo, passeando pelas ruas chiques de Hamburgo e nós comprávamos tudo o que eu gostava e que estava nessas lojas da Gucci e companhia. Eu adorava completamente andar nessas lojas chiques enquanto que aquelas mulheres snobes gozavam comigo como se estivessem a dizer “O que é é que isso para este freakzinho?”, e depois eu comprava tudo o que eu queria! O David simplesmente passava o seu cartão de crédito. Zás! – tal como na Pretty Woman. Naquela altura, comecei a coleccionar malas caras. O chefe de marketing da Louis Vuitton (Alemanha) enviava-me sempre pelo correio – como presente. […] Na procura de sapatos ousados (edgy shoes), descobri o meu amor por botas de cowboy. Oh, uau… ou será que foi a minha tia Reni que me influenciou? Eu tinha botas cowboy de todos os tipos. No fim de 2005, fomos de férias, pelas quais pagámos uma pequena fortuna. Lá a minha mãe descobriu que eu fumava porque um paparazzi tirou uma foto minha com um cigarro na boca. O David sempre nos disse: “A melhor coisa de todas é não ter que nos preocuparmos com o dinheiro”. Ele tem razão, mas nunca tivemos esse sentimento. […] O medo de sempre ter que voltar para o lugar de onde viemos esteve sempre presente – não importa quanto dinheiro se tenha. Mesmo no início da nossa carreira, estávamos ansiosos pelas lendárias afterparty. Os organizadores sempre reviravam os olhos sempre que tentávamos prepará-los para o que poderia acontecer quando chegássemos, mas eles diziam: “Já trabalhámos com superstars, tais como os Backstreet boys, já sabemos o que é que nos espera!” – mas depois ficavam sem palavras. Parecia um jardim zoológico. As pessoas seguiam-nos para qualquer lugar, perderam todos os tipos de inibição, tiravam fotos de nós, agarravam nas nossas caras ou em qualquer outro sítio. É um comportamento estranho que as pessoas pensem que te conhecem só porque te viram na TV. É como se elas pensassem que te possuem e que te podem agarrar em todo o lado. Nós precisávamos de um sítio blindado na área VIP. Deixou de ser divertido e rapidamente se tornou numa espécie de programa obrigatório. Tornou-se numa coisa deste género: tínhamos que nos mostrar na aftershow party para agradar o organizador – não importa o quão exaustos estivéssemos. Como se fôssemos uma atracção, fizemos um circuito para que todos ficassem felizes. Não estava com vontade de dar entrevistas até à meia-noite só porque um certo jornal queria uma declaração nossa – o que ainda acabámos por fazer porque éramos obrigados a fazer alguns acordos. Isto é: se lhe desses histórias e conteúdos exclusivos, ficavas imune às suas reportagens horríveis. Isto irritou-me de tal forma que eu nem queria ir lá, de maneira nenhuma. Ainda me lembro quando o David disse: “Vá lá, kickies, isto vai ser muito divertido aqui!”, mas fizemos uma cara de ursos atormentados em estilo performance. E se nos divertíssemos, o tiro depois saía-nos pela culatra…

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A evolução do ódio contra os Tokio Hotel: ameaças, pessoas armadas com canivetes e a protecção policial

[…] No início, o ódio era muito inofensivo, mas a atmosfera mudou com o aumento do nível de ruído dos nossos fãs a gritar. As pessoas estavam a começar a gozar comigo. Havia paródias de mim nos late-night e acabei por ser o número um na lista “Os alemães mais irritantes”. Coisas que são bastante icónicas, em retrospectiva. Sinceramente, deveríamos ter rido disso e comemorado – eu gostaria de ter ido a um desses programas de comédia como os americanos fazem no Saturday Night Live, por exemplo. Mas, naquela época, éramos todos controlados pelo medo e éramos muito jovens para auto-ironia. Tínhamos acabado de agarrar os meios de comunicação social pelos colhões, de certa forma – quero dizer, basicamente, fomos nós que escrevemos algumas das reportagens sozinhos e divulgámos essas histórias – mas agora isso era como se fosse o fim do mundo para mim! O monstro do stress possuído pelo pânico que eu era, evitava todo o tipo de facilidade! O ódio de quem nos invejava e que acabaram por revelar foi aterrorizante. Tal como disse, era como no nosso tempo na escola, de certa forma. Por um lado, as raparigas desmaiavam e escreviam cartas de amor, e por outro lado havia rapazes malcriados que me chamavam “paneleiro” ou “hermafrodita”. Fui exposto a tanto ódio que se espalhou por toda a Alemanha – e é por isso que tínhamos tantos seguranças ao nosso lado na maior parte do tempo. Nada é mais assustador do que gente parva. Eles não nos ameaçavam apenas com espancamentos ou com calúnias, não, nós recebemos ameaças de morte que faziam com que os meus pais, principalmente a minha mãe, se preocupassem connosco. Claro, o filho dela precisava de protecção policial agora. Isto tinha-se tornado numa rotina diária e, claro, que o ódio foi direccionado a mim – o rapaz estranho com os seus olhos super maquilhados. O rapaz que parece uma rapariga, esse algo de quem as pessoas não sabiam se ele era gay ou hetero – o assunto sem fim. Essa pergunta surpreendeu-me, tinha uns 15, 16 anos e nunca tinha feito essa pergunta a mim mesmo. Não era nada que eu tivesse ou quisesse esclarecer comigo mesmo, muito menos que tivesse que me justificar. Achei sem importância esse confronto com a minha sexualidade, esse clamor por causa das minhas roupas ou do facto de eu me maquilhar. Ainda hoje, acho muito aborrecido falar sobre isso. E agora eu deveria ser etiquetado e envergonhado, alcatroado e coberto de couro e explodir em chamas por causa disso? Havia pessoas à minha espera com facas nos bolsos num tapete vermelho e que planeavam atacar-me. Eu tinha percebido isso – e eu sempre quis saber sobre isso – e é claro que entrei em pânico que um estúpido sem cérebro vai querer arrancar-me os colhões só porque pensa que eu sou um “cabrão de um paneleiro”. Mas, enquanto eu estivesse com os rapazes e no carro, tudo estava bem. Eu queria estar com o Tom o dia todo. Muitas vezes, até dormíamos no meu quarto. Mas a outra situação em que eu tive que entrar em hotéis, caminhar pelo tapete vermelho, sair do carro ou dormir no quarto do hotel sozinho – todas as coisas que estavam fora de controlo estavam a assustar-me. Quer dizer, eu nunca sabia se ia haver alguém que me ia atirar alguma coisa ou empurrar-me. O lugar mais seguro que me senti foi quando estava no palco, quando me coloquei acima de todos e sabia: “Ok, estou na minha zona de conforto aqui”. Mas, mesmo essa sensação de segurança, podia ser manchada…

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Sobre o ódio que receberam num famoso programa de TV [Stock Car Crash Challenge 2006]

[…] A nossa participação foi amplamente discutida antes [de terem aceite o convite], depois de o canal de TV nos ter convidado para tocar no programa. Nós os quatro não conseguiríamos sequer imaginar que iríamos encontrar os nossos fãs lá. A estação televisiva, entretanto, achou que poderiam atraí-los [os fãs] especialmente para a arena. Foi a primeira vez que percebemos a quantidade de ódio que gerámos no país. Um ódio selvagem de dez milhares de pessoas sempre que entrávamos na arena para apoiar o Georg na competição. Quero dizer, ainda éramos criancinhas, bebés e lá estavam pais – não esses rapazes chavvy da aldeia ou aqueles jovens palhaços ciumentos – homens crescidos que estavam ao lado das suas filhas (que gostavam de nós) com os punhos erguidos. Estes eram os pais que me ameaçaram e gritaram comigo, uma criança de 15 anos… Enquanto corríamos pelo interior durante o intervalo comercial para nos prepararmos para a nossa próxima actuação, ficámos simplesmente chocados. Essas pessoas estavam a gritar e deliravam quando passávamos por elas. Elas basicamente cuspiram na nossa cara. Aquelas caretas, distorcidas pela fúria e ódio, que eram tão anormais de se ver. O ódio é tão feio. Neste dia, enfrentámos a horrível realidade, enfrentámos o génio que conjurámos. Parecia que todas essas 60 mil pessoas estavam a uivar na nossa performance – não foi uma ovação que bateu recordes. Foi como se uma multidão selvagem nos atacasse, mas como se ninguém estivesse a caminho para nos salvar. Nesse momento, entrei em pânico total. Depois desse dia, mudei, fiquei ansioso, temia os humanos e de alguma forma fiquei tímido. Como um animal de circo abusado.

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VMA 2008: a entrada em grande, o inglês, o vencer e o cancelar os votos do público fora dos EUA na edição seguinte

[…] Mas depois a coisa mais incrível aconteceu: As nomeações para os VMA 2008. Apenas os artistas no top de vendas do mundo são nomeados! E ao lado de Katy Perry que conseguiu o maior sucesso nas rádios americanas com “I Kissed a Girl” e que superou todos os recordes, ao lado de Miley Cyrus, que era a estrela adolescente número um absoluta, ao lado de Taylor Swift, o nosso nome estava na lista de nomeações para Best New Artist (Melhor Novo Artista). FODA-SE, agora isto é realmente incrível. Nós nem pensávamos em ganhar isto. Eu sei, parece só bla bla, mas isto é excepcionalmente verdade. Que o nosso nome foi mencionado ao lado desses artistas foi muito difícil de entender. Ainda não éramos um grande sucesso quando comparado aos outros nomeados. Éramos uma merda Indie mas fixe. Claro, estávamos a caminho disso, mas ainda não éramos um produto popular.

[…] Chegámos num monster truck XXL, que estava forrado com a capa do nosso álbum, e tínhamos alto-falantes enormes, pelos quais saía a nossa música que estava a tocar num volume muito alto. O T-Pain até chegou com elefantes. Estávamos em boa companhia! Rihanna, Lil Wayne, Kanye West, Pink, T.I. e Kid Rock. Mas acima de tudo: BRITNEY. OH MEU DEUS! A minha heroína pop de infância. Depois da sua performance desastrosa no ano prévio, eles vestiram-na com um vestido fofo. As suas baratas extensões de cabelo tinham um estilo elaborado, ela colocou algumas pestanas falsas e voilá, o manager dela disse a todos que ela mal podia esperar para voltar ao palco para cantar para os seus fãs. Hmmm… soa-me familiar! Senti uma conexão tão profunda. A MTV, é claro, presenteou-a com todos os prémios em cada categoria pela sua chegada naquela noite. Surpresa! Nunca me senti tão confortável num evento como aqui. Senti que pertenço aqui. A única insegurança que senti aqui foi o meu inglês de merda [literalmente: Eastern-education-English]. Foi tão embaraçoso e quem me dera que eu tivesse passado a imagem de que estava muito sereno e na descontra, apenas a falar de forma casual, como um nativo. É por isso que achei melhor manter as minhas frases curtas. A barreira da língua fez-me parecer tão paroquialista e eu odiei isso.

Durante a tour, decorei todos os anúncios e contei sempre a mesma história, tentando fazer com que parecesse uma história que foi lembrada de forma espontânea. Mas aqui tive que falar um pouco com a Miley e ter uma pequena conversa com a Rihanna e o meu inglês era bom o suficiente para dizer qual é o meu nome e de onde venho. Mas hey, “fake it till you make it” [finge até conseguires], tal como dizem em LA. Apenas age de forma relaxada. Que bom que não foi preciso subir ao palco e fazer um discurso de aceitação. Um actor qualquer do “Gossip Girl” e uma rapariga de um Reality TV Show anunciaram os nomeados para a nossa categoria. O rapaz disse: “Muitos dos vencedores anteriores deste prémio tornaram-se ícones, tais como os Nirvana, a Alicia Keys e o 50 Cent”. Ela acrescentou: “Uau, que grandes sapatos, mas sem pressão pessoal” – muito engraçado. E é a vez dele de novo: “E agora, o Moonman de Melhor Artista Revelação vai para…”. Breve pausa, o salão está em silêncio, estou a preparar-me para aplaudir animadamente pela Katy Perry. De repente, aquele famoso momento, esses poucos segundos em que sabes antes de todos que vais vencer. Os cameramen apontam as suas enormes câmaras na nossa direcção. Espera lá… o quê? Isso é impossível. Provavelmente, eles apenas querem filmar as nossas reacções, a comemorar pelo outro vencedor. Ambos os apresentadores dizem, com um misto de surpresa e de decepção, “Tokio Hotel” e até olham na direcção errada. Dunja levanta-se de repente da cadeira, a gritar, e salta animadamente com os braços para cima. Estou a levantar-me da cadeira, totalmente perplexo, e tapo a minha boca com as mãos. O meu corpo está todo arrepiado. O salão está furioso, todos se viram e olham para mim. Abraçamo-nos muito rapidamente, não conseguimos acreditar no que acabou de acontecer e, de seguida, a realidade bate e o pânico surge dentro de mim. “Merda! Agora vou fazer papel de estúpido à frente de todos os Estados Unidos e ter que dizer alguma coisa em inglês. Se eu pelo menos tivesse preparado algo. Respiro fundo, olho para baixo para ver essa coisa pesada nas minhas mãos e respiro lentamente. “Amo-te”, alguns gritam da plateia, mas é claro que não consigo reconhecer quem era. “Eu também te amo”. Ok, todos pareceram gostar dessa reacção, pelo menos. Depois fiz umas mágicas ao misturar algumas partes dos meus anúncios ao vivo e do que ouvi dos outros artistas e gaguejei nervosamente para a câmara. Tudo acabou por ser estridente e não foi a minha melhor performance. Provavelmente, eles apenas entenderam parte do que eu disse, mas hey… quem é que poderia imaginar que venceríamos a Taylor Swift e a Miley Cyrus? Parecia que tínhamos ganho a lotaria. No ano seguinte, os VMAs baniram os votos do público vindos do exterior. Acho que um dos nomeados deve ter ficado fodido.

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O primeiro relacionamento a sério do Tom e os fãs psicopatas

[…] A determinada altura, perdemos o controlo da nossa vida. A sorte foi que a banda, simplesmente se tornou irritante, o sucesso que tínhamos nunca parecia ser suficiente e acabou por se tornar num fardo. […] Depois de várias curtes [flings] e de muitas manchetes à macho, o Tom teve a sua primeira relação de verdade. Ele conheceu-a numa festa qualquer na primavera e, pela primeira vez, ele parecia estar realmente apaixonado. Eu e o Gühne ficámos muito felizes por ele, embora estivéssemos meio tristes por agora termos que jogar Mario Kart sozinhos uma vez que era regular o Tom passar as noites sem nós. Esta situação, em que nós os três não estávamos mais juntos, era nova para nós, mas, novamente, não estamos numa espécie de sitcom onde todos ainda vivem num loft fixe aos 30 anos. Então, acho que este processo faz parte de crescermos? Quando ele finalmente voltou para casa, nós interrogámo-lo sobre tudo durante horas: “E? Conta-nos… passaste lá a noite… de doidos! Não é costume fazeres isso. Como é que foi?”, perguntei ao Tom e encarei-o com os olhos arregalados. Eu era um romântico incurável. O Tom não era. Mesmo quando era criança, acreditava no amor verdadeiro. Há alguém que anda por aí que me vai me encontrar por detrás do enorme Monte Kali, no meu pequeno corredor, alguém que me vai salvar e me vai mostrar o mundo. […] Tom, um tipo duro da cabeça aos pés e um grande macho que lhe corre pelas veias, iria gozar desta minha ideia e revirar os olhos. “Bill, a vida não é um filme de amor tolo. Não fales merda!”. Adoro estar certo, por isso é que fiquei muito entusiasmado, principalmente porque o Tom estava num relacionamento sério. Talvez até tivesse mesmo encontrado o seu verdadeiro amor? Depois de todas essas groupies que ele e o Georg foderam durante esses anos todos, eu realmente ficaria feliz por ele se ele permitisse que os seus sentimentos viessem ao de cima. Eu senti o quanto ele gostava dela e, depois de algumas semanas, percebi o QUANTO. Durante uma das nossas viagens que fizemos em promo no início do ano, logo depois de a conhecer, ele começou a questionar tudo: “talvez devesses procurar outro guitarrista! Quer dizer, tudo gira à tua volta. Já não tenho mais vontade de fazer isto durante muito mais tempo. Eu nem sequer gosto desta coisa toda, da sessão de fotos e de toda a merda que vem por acréscimo. Ainda posso vir de vez em quando para tocar ao vivo, mas já não gosto mais desta conversa fiada toda”, revelou enquanto fumávamos no nosso hotel. O ar estava quente e abafado, além disso, tínhamos acabado de fazer um longo voo e não tínhamos dormido o suficiente. Poderia culpar tudo pelo surto dele, mas sabia que havia mais por trás disso. […] A pressão que a imprensa colocou em nós e a vigilância constante desses stalkers à frente da nossa casa desgasta-nos. Fomos especialmente afectados pelo facto de que nossa família foi arrastada para esta bagunça toda e ninguém foi poupado deste terror dos fãs. Cuspiram e pontapearam a nossa mãe quando ela estava a sair de casa. E não a pudemos salvar. Eles atacavam todos os que entravam na nossa propriedade, não importava se era a pessoa das limpezas ou o nosso melhor amigo, todos os que tinham estado em contato mínimo connosco estavam no radar desses fãs psicopatas.”

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As groupies

(depois do concerto em Paris em 2007)

[…] Os gritos dos fãs e da música ainda estão a ecoar e a correr pela minha cabeça, minutos depois do espectáculo. No entanto, tudo ao meu redor fica cada vez mais silencioso. De volta ao hotel, quando o meu segurança trancou a minha porta e me deixou na minha suíte, totalmente exausto, senti-me sozinho. A solidão é a minha maior inimiga. Nenhuma dessas centenas de raparigas que estão à frente da entrada do hotel teria adivinhado o que estava a acontecer dentro de mim. A minha equipa volta para junto da sua família, dos seus filhos e dos cães, voltam para a sua vida “real”. Os outros rapazes convidariam groupies para os seus quartos ou ligavam para as suas namoradas de curto prazo, e eu simplesmente caía na cama e ficava pesado e triste. Quando todos os holofotes e as câmaras são desligadas, todos os fãs voltam para casa e ninguém olha para mim, ainda sou o Bill Kaulitz. Não há porta que eu possa trancar ou um botão que eu possa pressionar para desligar tudo isto. Eu ainda sou eu. Não há possibilidade de tirar algum tempo para mim ou de dizer que foi um dia em cheio. Além do palco, eu ainda tinha que continuar a viver com os espíritos que citei. Não houve nenhuma pausa feita por mim, nenhuma fuga. Os únicos que conseguiram me entender e me resgatar eram o Tom e o Gühne. Quando nós os três passávamos tempo juntos, eu era capaz de esquecer, de rir e de me desligar.

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Sobre o projecto BILLY

[…] Pela primeira vez, atrevi-me a fazer música sem os outros rapazes. Eu tinha escrito cinco músicas sobre o meu último relacionamento, que na verdade não era um relacionamento. Uma aventura envolta de amor tóxico. Eu estava com muitas esperanças de ter finalmente encontrado um grande amor, mas em vez disso, fui apanhado numa teia de falsas promessas, manipulação, esperanças e dependências. Cego. Idiota. E por muito tempo não me consegui libertar.

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Triângulo amoroso com o melhor amigo

[…] O problema é que eu me sinto atraído por pessoas que estão magoadas. A minha última relação durou mais de dois anos e meio. Isto foi há cinco anos atrás. A relação partiu-me o coração. Hoje, aquele homem é casado com uma mulher. Há alguns rapazes que levam uma vida dupla porque querem ter filhos ou porque são colocados sob pressão pela sua família, o que era o caso dele. Também era uma questão religiosa dele, a nossa relação era um grande problema para ele, o que me chocou completamente. Nunca tive de pensar sobre como é que iria dizer à minha mãe? Se um amigo passasse a noite comigo no meu quarto ou se estou num triângulo amoroso com uma rapariga, tudo era ok [para ela]. […]

A história de pagar para ter sexo

[…] Eu tinha passado a noite num hotel barato com um(a) prostituta/o. Acho que hoje em dia as pessoas preferem chamar de “acompanhante”, mas não importa o termo que se use, no final das contas ainda são pessoas que são pagas para fazer sexo. Existem sites baseados em LA onde podemos simplesmente ver o objeto sexual que desejamos de todos os lados, às vezes até com o apoio de um vídeo onde podes vê-los em acção para que nada seja apenas deixado para a sua fantasia. É tudo muito profissional e não é como as placas de pedestres ou em bordéis estranhos num canto escuro qualquer. No entanto, o pagamento ainda é em dinheiro vivo. Isso era antiquado, mas tornava toda a coisa muito mais sexy. Para mim, tudo bem, pois usei um pseudónimo e coisas do género. Apenas imagina que me calhou um(a) fã. Então, como é típico de mim mesmo, certifiquei-me que tudo estava seguro e bem feito. Fiz as perguntas mais estranhas com antecedência: “Já estiveste na Europa?”, “Que idiomas falas?”, “Gostas de música alemã?”. Paguei o hotel com cartão de crédito recarregável do supermercado, o meu pseudónimo era um nome típico americano, vestia calças fato treino e uma blusa preta, boné de uma equipa qualquer de baseball que eu nem conhecia. Eu parecia pleno e não atraí nenhuma atenção quando estava a fazer o check-in no hotel, no quarto 68. Alguém poderia pensar que estava a planear um assassinato – o meu plano foi muito bem elaborado, tal como isso. […] Eu tinha bebido muito por precaução, porque senão eu teria desistido e não teria feito no último minuto. Já era difícil escolher alguém. Demorou algumas semanas porque eu sempre encontrava alguma coisa para reclamar. O meu coração estava pesado e triste. Decepcionado com o David [Jost] e despedaçado por um amor tóxico, que andava a arrastar há dois anos e meio e com o qual me cortava diariamente como um masoquista, pensei que o sexo poderia ajudar-me a superar tudo isto ou a fazer-me sentir algo além desta dor. Mas, na verdade, as one night stands só me deixam mais triste e solitário. Consegui o efeito oposto. Eu amaria cada vez mais intensamente, em vez de esquecer essa pessoa. Concluindo, não foi uma boa ideia. Senti-me como se fosse morrer com este coração partido. Sufocar com esta tristeza.

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A agressão sexual na piscina pública para descobrir se era rapaz ou rapariga

[…] Num dia extraordinariamente quente, eu e o Tom decidimos ir a uma piscina pública que ficava ao lado de um contentor marítimo. A piscina estava super lotada. Todos os tipos de pessoas estavam lá. […] Os jovens suados da aldeia que mergulhavam os seus órgãos genitais sujos na sopa de água com cloro, enquanto mães adolescentes de 14 anos estavam à espera em frente ao quiosque para comer batatas fritas. Lembrei-me do meu antigo pátio da escola e tentei scannear e classificar tudo em alguns segundos. Para onde posso ir, para quem é melhor não olhar, como posso sobreviver. Estar numa piscina pública era especialmente desafiador para mim porque eu estava com calções de banho em vez estar a usar a esperada parte de cima do biquíni. Quando me despi e caminhei em direcção à água, percebi todos esses olhares e esses sussurros altos nas minhas costas. “Por que é que aquela moça não veste nada?”, “Por que é que ela não tem peitos?”, “É menino ou menina?”, “Olha esse paneleiro!”. Fiquei assustado e tentei entrar na piscina o mais rápido que pude. Uma vez na água, ninguém iria perceber que sou um rapaz de peito achatado e que voltaria a passar por menina. Como a menina mais bonita daqui! […] Quando eu estava na fila para ir buscar uns doces e fui embalado por uma falsa sensação de segurança – o Tom ficou na toalha para tomar conta das nossas coisas – seis rapazes arrastaram-me para os chuveiros masculinos, mesmo ao lado dos cacifos e da casa de banho. Eles abriram a torneira de água, apertaram firmemente a minha garganta e meteram a minha cabeça debaixo do jato de água enquanto um deles agarrou brutalmente entre as minhas pernas e apertou os meus testículos. “Hey, isto é mesmo um rapaz! Que nojo!!”. Eles empurraram-me para o canto contra os azulejos. “Põe-te no caralho. Não queremos ninguém como tu aqui, seu paneleiro!”. Depois de os rapazes conseguirem a prova de que eu era mesmo um rapaz e terem partilhado a novidade com todos os outros, outros rapazes e até raparigas mais velhas agarraram entre as minhas pernas enquanto eu estava na piscina. Eu estava submerso, engarrafado e os meus órgãos genitais foram dolorosamente esmagados por outras pessoas como se eu fosse um jogo justo. Senti-me sujo e abusado, mas não contei a ninguém o que tinha acontecido. De certa forma, eu estava com vergonha.

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Outras curiosidades que são reveladas no livro:

– O Bill chamou o seu cão de “Groupie” porque não tinha permissão para ter uma.
– O Bill conseguiu conversar um pouco com o Michael Jackson.
– O Bill leu a “reunião de emergência” depois de o público ter vaiado a performance da banda no Stock Car Crash Challenge em 2006. Então, de forma a distrair dessa situação, eles pensaram em fazer manchetes ultrajantes tais como “um dos membros da banda foi parar ao hospital” ou “alguém engravidou do Tom”. Mas, no fim, a produção do concerto decidir baixar o som do público para que os espectadores que os viam na TV não pudessem ouvir a plateia a vaiar a banda.
– Uma professora do Bill bateu-lhe e outra arrastou-o pelo chão. Já uma outra, ao castigá-lo, quase que o estrangulava.
– O Bill consumiu pela primeira vez cocaína aos 18 anos numa casa de banho de um club, onde ele se enfiou lá com outras seis raparigas.
– O Bill contou sobre um rapaz amigo dele, antes de ele ficar famoso, e com quem ele ficava em conchinha. Ele diz que provavelmente evocou algum tipo de instinto protetor no seu amigo. Mas, depois que este amigo começou a namorar com uma rapariga, ele tornou-se mau para o Bill e chamava-lhe nomes como “paneleiro” para omitir o facto de que ele gostava do Bill. O Bill conta que se sentia ofendido com os insultos, que apenas ficava “wow, ok…” e depois quando o amigo não estava com a namorada, ele pedia desculpas ao Bill pelos nomes que lhe chamou. Quando a namorada descobriu, ficou ciumenta e confrontou-o com os factos. O amigo explicou que ele e o Bill tinham uma conexão especial e que nem ele mesmo conseguia explicar se o que tinham era mais do que uma amizade e que ela não podia contar isso a ninguém. O Bill conta ainda que quando os via a curtir, que o coração dele doía. Depois, o amigo pediu-lhe desculpa e disse que o Bill significa muito para ele e beijou o Bill. O amigo disse que bem lá no fundo, ele ama o Bill e o Bill chama a isto de um triângulo amoroso. O Tom não sabia desta história. Isto aconteceu antes de ele conhecer a sua primeira namorada. Fonte

Tradução: CFTH

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